Ética e Moral

O ser moral, ético e social

 

Ivone de Morais Rodrigues [1]

 

“Que a reflexão sobre o humano, demasiado humano – ou, conforme diz a expressão mais erudita: a observação psicológica – faça parte dos meios que permitem tornar mais leve o fardo da vida;” (NIETZSCHE, 1878) [2]

           

Com esta citação de Nietzsche, pode-se concluir que a reflexão faz parte do entendimento humano; permite ao humano, de certa forma, o alívio do peso de sua condição “humana, demasiada humana”.

A história da formação das sociedades, da vida social, traz consigo questionamentos básicos sobre o porquê da existência humana que sempre se renovam.

A vida em sociedade exigiu do homem, do “ser” humano, a busca de conceitos sobre seu papel, sobre sua responsabilidade diante do “outro”. A partir desse entendimento, estabeleceram-se normas e deveres que possibilitaram a convivência social. Nasce então, a norteadora de todas as ações do ser social: A Moral.

Segundo Barroco [3], a partir da construção da moral, através de normas e deveres, é que o individuo constrói o senso moral que irá conduzi-lo. E o senso moral, ou moralidade, é a medida que julgará se os indivíduos estão socializados, se são responsáveis pelos seus atos e se seu comportamento está em conformidade com as normas determinadas. Ela aponta que a moral é a valorização do dever.

Em resumo, o indivíduo que cumpri deveres a favor da norma determinada, é julgado moralmente e passa a ser: admirado. O contrário acontece com o indivíduo que não cumpre deveres a favor da norma determinada; ele é julgado moralmente e passa a ser: envergonhado.

Mas, como o contexto histórico da vida social é mutante, pelo avançar de fronteiras e globalização, o senso moral construído em determinada época, tende a ser reconstruído de acordo com as situações vividas.

Esta reconstrução não é fácil, pois o senso moral é a agregação dos valores que permeiam a construção do próprio ser social: o homem. E o ser social, na concepção de Barroco, é o ser ativo e participativo; detentor de uma consciência crítica capaz de repensar valores.

Ainda que não percebesse, quando afirma que a reflexão do humano é um dos meios que permitiram a leveza do fardo da vida, Nietzsche preconizou o movimento do pensamento reflexivo: a ética.

Então, se a moral determina a forma de agir do “ser” moral, a ética é a forma de agir do “ser” social, “ser” ético.

A ética é a moral reconstruída. O objeto de estudo da ética é a própria moral, pois, de acordo com VÁSQUEZ [4], a ética não cria a moral; ela depara com uma experiência histórico-social no terreno da moral, com uma série de práticas morais já em vigor e, partindo delas, procura determinar a essência da moral.

E esta essência pode ser considerada como reflexão. A ética, portanto, é a reflexão da moral. É o repensar da prática moral.

A reflexão ética, para BARROCO [5], é importante pois permite a desmistificação do preconceito, do individualismo e do egoísmo, propiciando a valorização e o exercício da liberdade. As normas são necessárias à convivência social, mas a forma mecânica e a-crítica como são incorporadas e repetidas é que é o problema.

Quando BARROCO [6]trata das bases filosóficas para uma reflexão sobre ética e Serviço Social, ela chama a atenção para o fato de que no senso comum, a moral confunde-se com proibição e obrigação; o dever passa a ser sinônimo de obediência à proibição. Por outro lado, a liberdade é vista como o contrário da proibição; têm-se a concepção de “dever e liberdade” como valores antagônicos. A autora visualiza a liberdade como princípio da moralidade construída pelo homem e do dever como algo que diz respeito à responsabilidade diante das escolhas morais, o que significa dizer que a liberdade assume a característica de escolha consciente, implicando em cumprimento do dever aliado à responsabilidade pela escolha assumida. É o compromisso em vez de mera obrigação.

 

 

 

 

 

 

           

           

           



[1] Graduanda da Faculdade UNISABER, curso de Serviço Social, 8º Trimestre.

[2] Citação do livro “Humano, demasiado humano”, de Friedrich Wilhelm Nietzsche, capítulo II, – Para a história dos sentimentos morais.

[3] BARROCO, Maria Lúcia Silva. Ética e Serviço Social

[4] VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética, cap. I, O objeto da ética

[5] BARROCO, Maria Lúcia Silva. Os fundamentos sócio históricos da ética

[6] BARROCO, Maria Lúcia Silva. Bases filosóficas para uma reflexão sobre ética e Serviço Social

ética, humano, moral, social

quarta 04 junho 2008 14:16 , em SERVIÇO SOCIAL



3 comentário(s)

  • Luciana Patriota mailto Qui 15 Mai 2014 22:08
    Maravilhoso texto!!!
  • BIANCA mailto Seg 12 Ago 2013 16:58
    TA LEGAL
  • Claudia Maciel mailto Seg 04 Jun 2012 05:06
    Perfeito!
    Nunca tive uma explicação tão clara,
    Lamento não ter conseguido copiar e colar, tomei a liberdade de anotar alguns trechos.
    obrigada


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